Social
15/01/2016
Entrevista com Guilherme Toledo Barbosa, ex Diretor de Distribuição do Grupo CEEE

Dando início aos trabalhos da nova gestão da UNIPROCEEE 2016/2017, e preparando o nosso tradicional boletim informativo, ao qual disponibilizamos em formato eletrônico a todos os nossos associados por e-mail, e ao público em geral por meio do nosso sitio eletrônico, apresentamos abaixo matéria sobre a renovação da concessão da CEEE Distribuidora e as medidas que a Companhia vem tomando para alcançar as exigências presentes no contrato de renovação através de entrevista com o ex diretor de Distribuição da CEEE, Guilherme Toledo Barbosa. 

Perguntas:

1 - Qual a sua visão sobre a CEEE Distribuição hoje?

2 - O que de mais relevante, em sua opinião, ocorreu na empresa recentemente? E o que ainda precisa ser ajustado?

3 - Durante a sua gestão frente à Diretoria de Distribuição, quais foram as principais medidas tomadas que impactaram nos indicadores técnicos e financeiros da CEEE?

4 - Quais os riscos e as oportunidades à empresa a partir da assinatura do novo contrato de concessão da CEEE Distribuição?

5 - Em sua opinião, como as áreas, e em especial aquele empregado de um setor com menor envolvimento direto nos resultados dos indicadores técnicos da Companhia, pode se enxergar no processo e ajudar no cumprimento dos indicadores exigidos pela Aneel?

6 - Em 2016, haverá o quarto ciclo de revisão tarifária das concessionárias?  Quais as perspectivas para a CEEE Distribuição sobre essa pauta?

RESPOSTAS PARA O BOLETIM DA UNIPROCEEE

É por todos nós sabido, que a situação financeira da CEEE-D tem base em fatos conjunturais e estruturais que remontam há muitos anos atrás. Não vale a pena repeti-los.

Além disso, tivemos por longos períodos investimentos abaixo do regulatório, o que fragilizou a estrutura da Distribuidora, concomitantemente a uma crescente demanda por energia elétrica, em face do aumento do poder aquisitivo da população brasileira. Para que se tenha uma ideia do baixo nível de investimento ocorrido, antes do Governo Tarso Genro a última subestação construída em Porto Alegre foi a PAL 12, em 2001 (Governo Olívio Dutra). Da mesma forma, vinha-se lançando em torno de três novos alimentadores por governo, na Capital.  E para completar um quadro difícil, o verão 2013/2014 trouxe um grande número de eventos climáticos severos. Resultado: forte piora dos indicadores de qualidade.

Com cerca de 40% de acréscimo de investimento na CEEE-D, o Governo Tarso Genro construiu a Subestação Menino Deus, deixou em andamento as obras das Subestações PAL 5 (agora sendo entregue), Floresta, Rincão e Aeroporto. Caso não houvesse tido problema com a empresa portuguesa licitada, a capital poderia ter também operando as Subestações PAL 7 e 15. No item alimentadores, foram entregues quarenta (sim, dez vezes mais do que antes!) em Porto Alegre. Em outras cidades, ficaram em andamento as obras das Subestações Morro Redondo, Dom Feliciano, Dom Pedro de Alcântara e Pelotas 5. Esta última cidade também poderia contar com mais outra nova subestação caso não tivéssemos tido problema com a mesma empresa citada antes. Iniciou-se a implantação de chaves religadoras com controle remoto, deixando mais de trezentas delas instaladas.

Os indicadores de qualidade são impactados por três aspectos: o nível de investimento realizado, o clima e a gestão da operação.

No curto período em que estive, com muito orgulho, à frente da nossa Distribuidora, foi possível concluir que estávamos defasados tecnologicamente, ainda usando guias em papel para encaminhar muitos dos nossos serviços de atendimento. O SGD, quando exigido nos momentos de tormenta, por várias vezes saiu do ar.

Com satisfação temos visto que a atual direção da Distribuidora tem avançado bastante no aspecto gerencial da operação. Esta iniciativa, somada ao fato de que o clima tem ajudado expressivamente e com os investimentos citados anteriormente, fez com que os nossos indicadores melhorassem muito no último ano.

Temos muito que avançar, entretanto, para atendermos às exigências da ANEEL a partir do grande momento da renovação da nossa concessão. Para tanto, será absolutamente fundamental dar um salto tecnológico na Distribuidora (a entrada em funcionamento do Convex, com certeza, ajudará neste objetivo) e manter o nível de investimento na estrutura de distribuição recentemente realizado. Felizmente o fator pessoal, nos tranquiliza, pela sua qualidade e compromisso histórico com a empresa.

Guilherme Barbosa, 21/01/16