Social
16/01/2013
O pragmatismo do carvão

 

Zero Hora - Só entendemos o valor da energia elétrica quando ela falta e, infelizmente, isso vem ocorrendo com uma frequência crescente e indesejada. Olhando pelo cenário otimista, podemos afirmar que o Brasil é um dos países com o maior potencial para energias renováveis e com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo.

Se por um lado temos todo o potencial do pré-sal, e isso é fantástico, por outro também avançamos em energias eólica, biocombustível, engatinhamos na energia solar fotovoltaica, além, é claro, do imenso parque gerador de energia hidrelétrica.

E o nosso carvão? Cerca de 90% do carvão mineral do país está aqui em nosso Estado. Quantas comunidades não se beneficiariam diretamente dessa produção caso pudéssemos destravar as usinas termelétricas já projetadas, algumas, inclusive, com licença ambiental concedida?

Se olharmos para o desenvolvimento regional, certamente é do conhecimento de todos o impacto positivo que a instalação do parque eólico teve na economia de Osório. Da mesma forma, nossas usinas hidrelétricas permitiram enormes acréscimos de arrecadação nos municípios, sem mencionar o desenvolvimento que o polo naval está proporcionando à região sul. Quanto estão ganhando essas comunidades?

Talvez muitos dirão que o carvão polui mais e que produz danos ao meio ambiente, mas será que é tão simples assim? Será que gerar energia com petróleo e derivados é tão mais limpo?

No final do ano passado, o presidente da Fiergs, Heitor Muller, sugeriu a utilização do carvão como reforço para solucionar a escassez de energia. Entidades como a própria Fiergs, Federasul, Agenda 2020, Cientec e Sulgás podem ser reunidas com a experiência dos pesquisadores de nossas universidades para, através de uma grande articulação política com nossos parlamentares, pleitear junto a autoridades governamentais.

É necessário retomar o assunto com o viés econômico e tecnológico, além de unir nossas forças políticas.

Será que já temos ou podemos ter tecnologia que diminua a emissão de CO2 do carvão?

Podemos produzir gás a partir dessa matéria-prima?

Não é hora de o governo federal autorizar leilões específicos para esse tipo de geração térmica?

São questões que devem ser discutidas. Com isso, além de gerar mais energia para o país, podemos oportunizar maior desenvolvimento para vários municípios do nosso Estado.

( Artigo de  Artur Lorentz – consultor empresarial, ex-secretário de ciência e tecnologia do RS)