Social
13/11/2018
Aneel aprova edital de leilão de linhas de transmissão no Rio Grande do Sul

Em leilão marcado para 20 de dezembro na B3, em São Paulo, serão licitados cinco lotes de concessões de linhas de transmissão no Estado. Ao todo, as obras devem representar a injeção de mais de R$ 5,3 bilhões no Rio Grande do Sul, além de criarem quase 13 mil empregos diretos. Este será o maior leilão de infraestrutura realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos últimos quatro anos, uma vez que ele conta com 16 lotes nacionalmente, que demandam investimentos de R$ 13,17 bilhões e 7.152 quilômetros de linhas de transmissão. Os contratos serão assinados em 22 de março. O maior investimento no Estado está ligado ao lote 10, com aporte previsto em R$ 2,43 bilhões, que tem prazo de 48 meses para conclusão. A partir dele, devem ser criados mais de 6 mil empregos na obra de  ligação de subestações em Nova Santa Rita até Gravataí, descendo para a região de Santa Vitória do Palmar e Candiota, na região Sul do Estado. O projeto faz parte das linhas de transmissão que anteriormente estavam sob cuidados da Eletrosul. Tratam-se dos lotes 10 a 13 do leilão, que preveem investimentos de cerca de R$ 4 bilhões na construção de linhas e subestações para o atendimento na Região Metropolitana de Porto Alegre e o escoamento de geração dos projetos termelétricos e eólicos do Estado. A Eletrosul assumiu a responsabilidade pelo projeto em 2014, mas não teve fôlego financeiro para manter a iniciativa. Após fracasso na tentativa de formação de Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a Shangai Eletric e Zhejiang Energy, como tentativa de retomar as ações, a Aneel recomendou a caducidade da concessão e relicitação dos empreendimentos no leilão de dezembro. O atraso nessas linhas afetam o escoamento de energia das usinas da região. O vice-coordenador de Infraestrutura da Agenda 2020, Paulo Menzel, enfatiza que existe muita apreensão do segmento em torno desta questão, uma vez que há empreendimentos concluídos que não irão a leilão por não haver linhas de transmissão. "Não adianta gerar energias sem que possa ser consumida", enfatiza. O gestor lembra que a energia produzida no Estado representa apenas 30% do consumido, em sua avaliação, caso não haja solução célere a partir do edital, este valor pode cair mesmo com Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), Central Geradora Hidráulica (CGH) e parque eólicos aptos a produzir. Apesar disso, a confirmação do leilão é vista como "um passo positivo" por Menzel, que pondera que a partilha das linhas e subestações em lotes pode vir a ser positiva. A fração do investimento em cinco lotes também é vista positivamente pela secretária de Minas e Energia do Estado, Susana Kakuta, que comemorou a definição da Aneel sobre o futuro da estrutura ociosa desde 2014 em um curto prazo de tempo, uma vez que a caducidade das linhas de transmissão da Eletrosul foram declaradas no dia 1 de novembro. "Tínhamos dúvidas sobre esses lotes estarem no leilão", lembra. Em sua avaliação, os lotes a serem concedidos correspondem a importante eixo de transmissão do Estado, não somente para viabilizar empreendimentos na área termoelétrica, como também hidrelétrica e eólica. A representante do Executivo também comemora o substancioso investimento no Estado, que significa um bom número de empregos em diversas regiões. "Isso gera vagas, o que estimula o comércio e o serviço a partir da renda", enfatiza. Susana lembra que, a exemplo do interesse das chinesas, o mercado energético brasileiro está na mira de investidores internacionais, o que praticamente assegura concorrência em dezembro. O workshop para esclarecimentos técnicos sobre o edital será realizado no dia 28 de novembro.

Jornal do Comércio, 13/11/2018